O que você está fazendo com seu tempo?

Esses dias fiz um Post explicando o porque que Alice no País das Maravilhas é um de meus filmes e livros preferidos e convidei todas vocês a assistir ou reassistir Alice através do espelho com outros olhos e refletir com carinho sobre a lição que o filme nos passa, de que o Tempo sempre te dará antes de tirar.

“Eu sei que você tentou me avisar e eu não escutei, me desculpe.
Eu pensava que o tempo era um ladrão, que roubava tudo que eu amava, mas agora eu vejo que você dá antes de tomar e cada dia um presente, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo.”

Alice através do Espelho

Aí eu te pergunto, o que você tem feito com o seu tempo?

Reclamamos quase que diariamente que faltam horas em um dia, que o ano está voando, que parece que foi ontem que comemoramos nossos 18 anos e que planejávamos como estaríamos aos 30.

Buscamos incansavelmente alcançar patamares financeiros e sociais para um dia ter tempo para aproveitar o tempo livre em algum lugar bacana, trabalhamos incansavelmente para um dia sermos reconhecidos e termos tempo para descansar, são incansáveis horas extras para dar do bom e do melhor aos filhos e um dia ter tempo para ficar só com eles, são anos poupando para fazer a melhor viagem da sua vida e planejando talvez um dia ter tempo para realiza-la.

Enquanto isso o tempo passa…

Você envelhece, a energia não é a mesma, a viçosidade, o ritmo, os filhos crescem, a viagem não se enquadra mais no seu momento de vida, os amigos tomam outros caminhos e o tempo escorreu pelos seus dedos meio sem você se dar conta.

Mas o tempo estava ali o tempo todo, você que não fez bom uso dele, ele te deu as mesmas 24 horas que deu a todo resto do mundo.

Talvez estejamos gastando tempo de mais para Ter e esquecendo de Ser, pois tempo é dinheiro, mas dinheiro não gera tempo e é nesse momento que a frustração reinará, pois quando constatarmos que gastamos todo nosso tempo buscando dinheiro e conseguirmos a quantidade que achemos necessária iremos perceber que esse mesmo dinheiro que ganhamos nunca comprará o tempo que perdemos e o tempo amiga, não volta atras.

Então, vamos valorizar o que temos nas mãos hoje, claro que é importante planejar, sonhar e vislumbrar o amanhã, mas agindo nesse exato momento. Utilize com sabedoria todos os momentos que a vida está te dando e seja feliz hoje para poder ser amanhã e sempre.

Vamos valorizar mais o ser do que ter. O bem estar, o crescimento dos filhos, o bate papo com os amigos, o fim de semana em casal, a paz interior. São esses atos que fazem a vida valer a pena.

Te convido a ganhar tempo e refletir com esse texto da Maravilhosa Ruth Manus, no Estadão. 

¨A triste geração que virou escrava da própria carreira

E a juventude vai escoando entre os dedos.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.

Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.

Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.

Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.

Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.

Frequentou as melhores escolas.

Entrou nas melhores faculdades.

Passou no processo seletivo dos melhores estágios.

Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.

E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.

Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.

Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.

O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.

O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.

O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.

Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.

Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.

Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.

Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.

Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.

Mas para a vida, costumava ser não:

Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.

Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.

Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.

Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.

Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.

Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.

Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.

Só não tinha controle do próprio tempo.

Só não via que os dias estavam passando.

Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.¨

Tem uma lagrima rolando aí ou é impressão minha?

Mas falando sério, te convido a ser a personagem principal da sua vida e utilizar seu tempo de maneira efetiva, emocional e saudável, levando em conta o que realmente importa na vida.

A hora é agora!!!

Beijos Descomplicados

Ju

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Foto de Capa: Creative Commons

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3 replies on “O que você está fazendo com seu tempo?

  1. Ahhh que texto mais maravilhoso! “Talvez estejamos gastando tempo de mais para Ter e esquecendo de Ser” que frase. Penso em quantas coisas me preocupo em comprar, mas no que elas me tornam? Em alguém melhor? Superior? O que isso trás? Sem contar do tempo que perdemos procrastinando, reclamando e esperando o tempo passar pra um dia ser feliz! Lindo texto ❤

    Curtido por 1 pessoa

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